2. As Festas do Senhor Divino:
O Campo D'Ourique foi palco de representações culturais da maior expressão para a cultura cuiabana, pois ali se dava o fechamento da famosa Festa do Divino, misto de espetáculo civil e religioso, que contava, anualmente, com a participação das diversas camadas da sociedade. A festa era anunciada através de um mensageiro que saía às ruas, montado em belo cavalo e, em voz alta, anunciava os festejos que durariam 15 dias.
A Festa tinha início com uma grande Procissão, seguida de Missa Cantada, e culminava com 3 dias de apresentação das touradas, que era o ponto alto da festa, e sempre realizada no Campo D'Ourique.
Os fogos de artifícios, girândolas montadas com arte, iluminavam os céus no ponto próximo ao mastro onde se entroniza o Senhor Divino desde a "Ascensão do Senhor", e ora se acendem sobre as mangueiras do extremo oposto a Igreja da Matriz, ao espocar de frenéticos foguetes que permitem ao espaço central da praça da matriz, contar com a mais original das iluminações.
Em 1930 os festejos do Senhor Divino eram encerrados com grande Baile, pois nesse ano já não foram mais apresentadas as touradas no Campo D'Ourique, por proibição da Igreja.
3. A Rusga:
Palco do implacável acontecimento de 30/05/1834, conhecido e registrado na história como RUSGA, o "dia de São Bartolomeu" cuiabano, noite em que mais de 400 portugueses e estrangeiros, entre eles crianças, foram massacrados, em nome de um ideal nacionalista, conforme descreveu Visconde de Taunay.
O epicentro foi no Campo D'Ourique cujo arredor estavam os estabelecimentos dos comerciantes portugueses. Dali, os manifestantes subiram a rua Joaquim Murtinho até o Palácio da Instrução onde era a sede do Quartel dos Municipais, gritando palavras de ordem "Morte aos Bicudos", "Morram os Bicudos".
O movimento ocorreu em quase toda a província, sendo que em Cuiabá, teve sua proporção mais trágica.
4. Centro Geodésico da América do Sul
Em 1909 o tenente astrônomo Renato Barbosa Rodrigues Pereira, que integrava a Comissão Rondon, fixou através da astronomia e de coordenadas geográficas, a latitude de 15º 35 ¢ 56" ao Sul da linha do Equador e a longitude de 56º 06 ¢ 05" a Oeste do Meridiano de Greenwich, o "Centro Geodésico da América do Sul", no antigo Campo D ¢ Ourique, sede atual da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso. Estas coordenadas foram reconhecidas pela Diretoria do Serviço Geográfico do Ministério do Exército, cuja carta foi homologada em 1975.
Praça do Alegre
Nomenclatura atribuída ao antigo Campo D'Ourique após a Guerra do Paraguai, rememorando a Batalha do Alegre, ocasião em que os brasileiros saíram vitoriosos. Mesmo com a troca oficial na toponímia, o Campo D'Ourique ainda permaneceu no linguajar cuiabano.
5. Os Circos, os Parques de Diversão.
O Campo D'Ourique foi também o local de instalação dos circos que vinham à Cuiabá, com seus animais "ferozes" e diferentes, domadores, palhaços, trapezistas, mágicos, o famoso "Globo da Morte" e dos parques de diversões que vinham à cidade para alegrar e divertir as crianças e os adultos, os quais não tinham, à época, outra opção de lazer.
Para as crianças, moradoras do Campo D'Ourique, não havia época melhor que as férias de julho e dezembro, pois nesse período a criançada cedia com prazer, o campinho de futebol, do "taco", do pegador, do "finca-finca", das bolitas coloridas, o campo onde se soltavam pandorgas coloridas de longas rabiolas, que nós cuiabanos pronunciamos "pandoga", andavam de carrinho de rolimãs e bicicletas, onde longos barbantes com lata de massa de tomate na ponta serviam como telefone sem fio, e em outros momentos, a mesma lata trazia além do barbante um pedaço de pau na ponta e ali estava o famoso "biboquê", lata de leite ninho furado no centro e com um barbante amarrado no qual se enfiava o dedo de pé, serviam de alto tamanco barulhento e de vez em quando ainda sobrava um tempo para um ou outro se arriscar em andar sobre "perna de pau". Ceder tudo isso só mesmo para os parques e circos que aqui chegavam e traziam consigo outras alegrias, além dos espetáculos: o pipoqueiro, o "picolezeiro", piché, queimada, cocada, algodão doce, banda de música e toda sorte de novidade.
Daí a tristeza quando em um belo dia começaram a cercar todo o Campo D'ourique. Afinal de contas tinha dono aquele pedaço do céu? Tinha sim, era o governo do Estado que ali resolveu construir um prédio público para dissabor da criançada daqui.
Adeus parque, adeus circo, adeus campo D'Dourique, afinal também crescemos (nós e a cidade).
Praça Moreira Cabral
Em homenagem ao bandeirante sorocabano, Pascoal Moreira Cabral Leme, que em 08 de abril de 1719 lavrou a ata de fundação do Arraial das Minas do Cuiabá, a Câmara pela Lei Municipal nº 1.315 de 22/08/1973 atribuiu seu nome, ao Campo D'Ourique.
No Governo Pedro Pedrossian dá-se início a construção da atual sede do Parlamento Estadual, no Campo D'Ourique, local onde, em 1909, a Comissão Rondon marcou, o Centro Geodésico da América do Sul.
A Praça Moreira Cabral foi doada ao Parlamento pelo então Prefeito de Cuiabá, ex-Deputado Vicente Emílio Vuolo.
O Palácio Filinto Müller, foi a terceira sede do Parlamento Estadual, inaugurado em 15/08/1972 no Governo do ex-Deputado José Manoel Fontanillas Fragelli, ocasião em que presidia a Assembléia o Deputado Nelson Ramos.
Assim, o LARGO DA FORCA , o CAMPO D'OURIQUE , como a PRAÇA DE TOUROS, mais tarde PRAÇA DO ALEGRE , simbolizou, espaço de lazer e de concentração de diferentes movimentos, onde ocorreram diversas manifestações culturais. Rico em lendas e história, local de touradas, mais tarde abrigando os parques de diversões e circos, sempre teve um movimento vivo de toda as camadas sociais de Cuiabá.
Hoje, esse espaço é ocupado pela sede da ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE MATO GROSSO, espaço democrático onde se reúnem líderes e comunidade para a realização do pleno exercício do Poder e da cidadania em busca da plenitude democrática.
Antes o Campo D'Ourique foi palco de manifestações folclóricas, religiosas, culturais e hoje se transformou na Casa do Povo, em que os populares são representados pelos seus líderes que têm assento nesta Casa de Leis, para decidirem o melhor futuro para todos.
Em quase dois séculos de existência, a Assembléia possuiu apenas três sedes, e toda sua trajetória social, política e histórica pode ser contada em capítulos, que são os da própria história de Mato Grosso.
Há 169 anos, a Assembléia Legislativa, em nome do povo mato-grossense, estabelece as instituições e formula as Leis que regem Mato Grosso.
Palácio Filinto Müller, abril de 2004.
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ÍSIS CATARINA MARTINS BRANDÃO
Instituto Memória do Poder Legislativo |
BIBLIOGRAFIA:
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RAMOS, Maria de Lourdes da Silva. "Relembrando os Festejos do Senhor Divino", São Paulo, 1999, Ed. Árvore da Terra.
FREITAS, Moacyr, "...e o tempo passou!", Cuiabá, 1995. |
ACERVO FOTOGRÁFICO: NDHIR/UFMT e IMPL
PESQUISA E TEXTO: INSTITUTO MEMÓRIA
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