Conheça a letra do nosso hino Ouça o nosso hino
Dentre os Símbolos Oficiais do Estado de Mato Grosso, A Bandeira
e o Brasão de Armas, foi incluído o Hino de Mato Grosso
em 1983, sobre o qual levantamos alguns fatos:
HISTÓRIA:
Por ocasião das Comemorações do aniversário
de Cuiabá, no dia 08 de Abril de 1919, foi cantada, diante
de um seleto público, pela primeira vez a música “Canção
Mato-grossense”.
“Após a cerimônia religiosa, realizada na Catedral
Metropolitana, um grupo de senhoritas cantou o Hino que Dom Francisco
de Aquino Corrêa com a música do maestro Emílio
Heine, compôs especialmente para as comemorações
do aniversário de 250 anos de Cuiabá”.
“No mesmo dia por ocasião da Instalação
do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso,
um grupo de alunos da Escola Modelo Barão de Melgaço
cantaram o Hino a Mato Grosso, na praça da República
pelo qual foram calorosamente aplaudidos pelo grande público
presente”.
Dessa forma, em grande estilo, em data representativa foi ouvida
pela primeira vez a música que 64 anos depois seria oficializada
como Hino de Mato Grosso.
Seu compositor, não poderia ser mais ilustre, mais admirado
do que Dom Francisco de Aquino Correa. Amado pelo povo, idolatrado
pelos religiosos e respeitado pelos políticos, intelectuais
regionais e nacional, tanto que se tornou governador nos anos de
1918 a 1922, como candidato de conciliação dos partidos
Conservador e Republicano, com o apoio do Presidente da República
Wenceslau Brás.
No final de seu governo, no entanto, sofreu muita oposição
dos partidos que o haviam elegido, da mesma forma como entrou na
política, a convite saiu desta também, no entanto
não se pode esconder uma lâmpada sob a mesa, e o cidadão
Dom Aquino continuou a iluminar sua terra natal e dando-lhe orgulho
de tê-lo como filho. Os historiadores acreditam que devido
a esse fato, ciúme político, não foi oficializada
“Canção Mato-grossense” como Hino de Mato
Grosso, mesmo que sua execução já era praxe
nas cerimônias oficiais do Estado quando Dom Aquino era Governador
e depois que este deixou o mandato.
Com o golpe de novembro de 1937, todos os símbolos oficiais
dos Estados foram abolidos, mas como a “Canção
Mato-grossense” não era oficialmente o Hino de Mato
Grosso ela continuou sendo cantada nas escolas e solenidades como
folclore.
Em 1946, com a nova Carta Magna do Brasil, os símbolos oficiais
foram restabelecidos, a Constituição Estadual de 1947
só refere ao Brasão de Armas e a Bandeira. Como Mato
Grosso não tinha oficializado seu Hino, este não foi
registrado na Constituição.
Mesmo sendo executado pelas Bandas da Polícia Militar e a
do Exercito Brasileiro, com todas as honras de Hino, e sacramentado
nos corações dos mato-grossenses nenhum governante
teve a iniciativa de oficializa-lo, até maio de 1983.
ESTUDOS
PARA A OFICIALIZAÇÃO:
No Diário oficial de 03 de Maio foi publicado o Decreto n°
38 de 03/05/1983 em que o Governo do Estado, Júlio José
de Campos, cria uma Comissão Especial para proceder estudos
sobre o Hino de Mato Grosso que foi composta pelos senhores: ADAUTO
DIAS DE ALENCAR, ARCHIMEDES PEREIRA LIMA, MARÍLIA BEATRIZ
FIGUEIREDO LEITE, LÍDIO MODESTO DA SILVA e PEDRO ROCHA JUCÁ.
A
REPERCURSÃO NA IMPRENSA:
Conforme relata o historiador e imortal Pedro Rocha Juca, no dia
05 de maio de 1983 o Jornal “O ESTADO DE MATO GROSSO”
publicou um editorial, intitulado “O Hino de Mato Grosso”,
em que comenta o ato do Governador Julio José de Campos de
nomear uma comissão de alto nível, através
de decreto publicado no Diário Oficial do Estado para tratar
da oficialização da letra e da música do Hino
de Mato Grosso.
“A Academia de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico
de Mato Grosso já se pronunciaram a respeito e não
concordam com qualquer alteração a Letra de Dom Aquino
e muito menos na musica do Maestro Emílio Heine, justificando
que não se pode alterar uma obra literária, principalmente
quando ela é fruto de uma inteligência incomparável
como a de Dom Aquino Correa e um hino que já está
no coração do povo mato-grossense. Caberá apenas
a esta comissão oficializar o que está consagrado
na tradição da nossa gente, exaltando a obra de um
poeta inesquecível, filho da terra. ...”
Na
edição do dia 22/05/1983 no mesmo jornal foi publicado
um artigo do Imortal e ex-Deputado Constituinte, o inesquecível
Luis-Philipe Pereira Leite com o título de “Valiosos
Pronunciamentos”, em que publicou a opinião de alguns
cidadãos ilustres sobre seus posicionamentos quanto a oficialização
da música “Canção mato-grossense”
como Hino de Mato Grosso, pois havia já movimento para que
se mudasse a letra, com a argumentação “Divisão
do Estado”.
-
ANTONIO DE ARRUDA – Desembargador, professor
universitário, Ex-Presidente do Tribunal de Justiça,
e assessor da Escola Superior de Guerra.
“Estou de acordo com você com relação
ao Hino de Mato Grosso: a referência a cidades desmembradas
do Estado não desvirtua a obra poética, que reflete
um momento histórico”.
-
JARY GOMES – Ex-Deputado Constituinte, ex-governador
de Mato Grosso (1950-1951), ilustre Médico, honrado cidadão.
“Considerei oportuno. A sua iniciativa de lançar verdadeira
conclamação aos dirigentes do Estado e à Assembléia
Legislativa, pela oficialização do magnífico
Hino de Dom Aquino, constitui gesto louvável e patriótico,
não apenas pelo que nos oferece de arte e de beleza, pelo
que evoca de virtudes da nossa gente, dos feitos dos nossos desbravadores,
das nossas inexauríveis riquezas naturais, do progresso que,
hoje, testemunhamos, mas também pelo reconhecimento que Mato
Grosso não pode negar ao insígne prelado que, com
a sua verve inimitável, nacionalmente consagrada, com os
versos condoreiros gravados em cada estrofe, com o seu descortino,
como exemplos, com palavras e ações de sábio
e de mestre, tanto honrou, glorificou e amou o nosso vitorioso Estado.
Não me lembro bem se foi em 1921 ou 22, na escola primária
de D. Madalena Mamolier, em Ponta Porá, que cantei com os
alunos, pela primeira vez, o lindíssimo Hino de Mato Grosso.
E, ainda, ao longe soam-me aos ouvidos o significativo estribilho:
“Salve Terra de Amor, Terra de Ouro,
Que Sonhara Moreira Cabral!
Chova o Céu dos seus Dons o Tesouro,
Sobre Ti, Bela Terra Natal”.
Muitas razões há para que se oficialize o Hino, entre
outras:
1 - por ser de autoria de um dos expoentes da Poética Nacional;
2 - por que é belo;
3 – por que enfeixa em versos a própria história
do nosso Estado.
Parabéns.”
Após profundos estudos, calorosas discussões e diversos
pronunciamentos de cidadãos a Comissão concluiu seu
relatório e entregou ao então Governador do Estado.
Alguns trechos do parecer da Comissão:
Decidiram pela não alteração do Hino.
“O poema representa uma visão em termos altos sobre
Mato Grosso. Para efeito pedagógicos, o poema foi desestruturado,
sem sofrer qualquer alteração em seu conteúdo,
As quatro estrofes originárias de oito versos foram divididas
em oito estrofes de quatro versos e as estrofe do estribilho, de
quatro versos, passou para seis versos, alterando-se, no entanto,
a métrica, que assim ficou estabelecida: o primeiro verso
com seis sílabas; o segundo com três sílabas;
o terceiro com nove sílabas; o quarto com três sílabas;
o quinto com seis sílabas; e o sexto com nove sílabas...
A idéia intrínseca do poema evoca referencias clássicas,
históricas e fatores ambientais e telúricos regionais”.
A comissão também analisou os termos utilizados pelo
autor, chamando a atenção para dois fatos históricos
que para muitos, que não atentaram para a realidade dos fatos,
não deveriam fazer parte da letra, com a divisão do
Estado com que a comissão analisou que: “contudo, na
letra do hino jamais se cogitou do ambiente e sim do homem, por
exemplo no verso “Dos teus bravos a glória se expande
de Dourados até Corumbá” o que o autor decantou
foi a glória dos filhos de Mato Grosso e não o pedaço
geográfico.
“Decantou a bravura de Antonio João Ribeiro, nascido
em Poconé em 1820, e que tombou heroicamente em 1864 quando
tenente do exercito, comandava a Colônia militar de Dourados.
Decantou a bravura de Antonio Maria Coelho, na retomada de Corumbá,
ele nascido em Cuiabá em 1827 e falecido em Corumbá
em 1894. Essa foi a inspiração para o verso “..
de Dourados até Corumbá”.
Segundo a comissão, o heroísmo dessas figuras ilustres
não diz respeito apenas a Mato Grosso e sim ao Brasil, nas
circunstâncias por que passava a soberania nacional.
Acatando o parecer, extremamente técnico e fundamentado da
estudiosa e competente Comissão, foi oficializado como Hino
de Mato Grosso a “Canção Mato-grossense”
sem qualquer alteração. Pois nenhum intelectual, estudioso
ou político da época teve justificativa que pudesse
dilacerar tão apreciada e reconhecida obra literária
e artística.
OFICIALIZAÇÃO:
Através do Decreto n° 208, de 05 de Setembro de 1983,
por iniciativa do Governador Júlio Jose de Campos, a clássica
“Canção Mato-grossense” com letra de Dom
Francisco de Aquino Corrêa, e música do Maestro Emílio
Heine, foi oficializado o HINO DE MATO GROSSO.
O Hino Oficial de Mato Grosso foi executado pela primeira vez no
dia 7 de setembro de 1983, em sessão cívica da Assembléia
Legislativa de Mato Grosso, executado pela Banda da Polícia
Militar.
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Ísis
Catarina Martins Brandão.
Secretária do Institudo Memória |
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Fonte:
“Os Símbolos Oficiais do Estado de Mato Grosso”,
obra de Pedro Rocha Juca e acervo do Institudo Memória. |
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