Fale Conosco
Proteção de Dados (LGPD) LGPD
Entrar
Brasão

Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

ALMT debate impactos da legislação da pesca sobre trabalhadores artesanais

Reunião discutiu ADIs 7471, 7514 e 7590, que questionam os efeitos da Lei nº 12.197/2023, que suspendeu a atividade pesqueira e afetou milhares de famílias no estado

POR ITIMARA FIGUEIREDO / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL  •  27 DE NOVEMBRO DE 2025 ÀS 08:40:00  •  107 Acessos

POR ITIMARA FIGUEIREDO / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL  •  27 DE NOVEMBRO DE 2025 ÀS 08:40:00  •  107 Acessos

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) debateu os impactos da Lei da Pesca, que proíbe o transporte e comercialização de 12 espécies de peixes. Pescadores e entidades socioambientais relataram dificuldades econômicas e sociais, pedindo a suspensão da lei.

Texto gerado pela Alê, nossa inteligência artificial.

Foto: Helder Faria

Foto: Helder Faria

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu, nesta terça-feira (26), na Sala das Comissões Sarita Baracat, reunião para debater os impactos das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 7471, 7514 e 7590), que contestam a Lei nº 12.197/2023, conhecida como Lei da Pesca, sobre pescadores profissionais e artesanais.

O encontro foi proposto pelo deputado Wilson Santos (PSD) e contou com a participação de assessores do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, por videoconferência: Rodrigo Hauer, chefe de gabinete e Vitor Gonçalves, assessor de gabinete, além de lideranças da pesca, entidades socioambientais e parlamentares.

Wilson Santos anunciou que será enviado, ao ministro André Mendonça, um documento oficial com os relatos apresentados e as demandas das colônias de pescadores. Também deve ser analisada a possibilidade de novas medidas legislativas enquanto o STF não define o julgamento das ADIs.

A legislação conhecida como Lei do Transporte Zero (Lei 12.197/2023) proíbe o transporte, armazenamento e comercialização de 12 espécies de peixes em Mato Grosso, afetando diretamente a principal fonte de renda dos pescadores. 

Durante a reunião, foram apresentados relatos sobre impactos sociais e econômicos decorrentes da suspensão da atividade pesqueira profissional e a ausência de políticas compensatórias previstas em lei, como linhas de crédito, capacitação e apoio institucional. Os parlamentares reforçaram a urgência na análise das ADIs.

O deputado Wilson Santos destacou que a demora na análise das ações amplia a vulnerabilidade das famílias que dependem da pesca para sobreviver.

“Há entre 7 e 8 mil pescadores profissionais dependendo de auxílio, e o governo estadual não cumpriu nenhuma das obrigações previstas na lei, como capacitação, financiamento e apoio institucional. Todos os órgãos consultados, como o Ministério Público Federal, Advocacia-Geral da União, Ibama, Ministério da Pesca e Ministério do Meio Ambiente, se posicionaram contra essa legislação. Trabalhamos para reverter essa norma e devolver dignidade às colônias”, afirmou Wilson Santos.

O deputado Valdir Barranco (PT) lembrou que a lei foi rejeitada por especialistas e instituições acadêmicas. “Universidades, especialistas e entidades socioambientais foram unânimes em rejeitar a lei, que não tem justificativa ambiental, mas motivação política. São dois anos de famílias sem renda, sem dignidade e sem sustento, com impacto direto na economia da Baixada Cuiabana. Pedimos que o ministro libere a ação para julgamento, porque a maioria do STF deve ser favorável aos pescadores”, declarou.

A advogada Nilma Silva Santos, presidente da Associação do Segmento da Pesca de Mato Grosso (ASP-MT), reforçou que pareceres técnicos já indicaram inconsistências da legislação. “Todos os pareceres técnicos foram contrários à lei e o governo não cumpriu os acordos firmados. Além disso, um decreto proibiu 12 espécies que representam 93% das espécies mais pescadas no estado. O resultado é miséria, depressão e mortes relacionadas ao impacto social da medida. São 16 mil famílias aguardando sensibilidade e justiça”.

Representando o Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), Bruna Pinheiro alertou para os prejuízos previdenciários e a ausência de base técnica. Disse que há consenso pela inconstitucionalidade da norma e que não existem estudos científicos que sustentem a recuperação de estoques pesqueiros. Sem base técnica, a lei se torna inaplicável, discursou Bruna.

Dificuldades - O representante da Colônia Z3, Francisco Teodoro, destacou a demora na liberação do benefício. “Mais da metade dos pescadores ainda aguarda o segundo período do benefício e precisa de urgência. As colônias estão sobrecarregadas e as famílias, desamparadas”.

O professor e ictiólogo Francisco de Arruda Machado, conhecido como Chico Peixe, reforçou o impacto ambiental e econômico da legislação.

“O que buscamos é suspender a lei que proíbe 12 espécies entre mais de 900 existentes no estado, justamente as de maior valor agregado e que garantem o sustento dos pescadores. Os estoques na bacia do Cuiabá estão normais e não há estudos que justifiquem essa restrição. Essa legislação é socialmente injusta, chega a ser criminosa, porque deixa famílias passando fome em um país rico. Os assessores do ministro não têm poder de decisão, mas precisam relatar que essa norma está matando gente e afetando até crianças. A pesca antecede Cristo e faz parte da identidade e da história de quem vive dos rios”.

Fernando Francisco de Lima, conhecido como Cearazinho Pescador, relatou a realidade social das famílias afetadas. “Tem pescador passando fome, sem seguro-defeso e sem condições de se enquadrar no Repesca. São comunidades isoladas, sem internet, sem transporte e sem alternativa de renda. O pescador não vive só do peixe, ele precisa comprar arroz, óleo, farinha, remédio. O que pedimos é respeito, dignidade e que os gestores olhem com carinho para quem sempre sustentou a economia ribeirinha.”

Secretaria de Comunicação Social