“Vamos criar uma comissão para formalizar um relatório que será encaminhado ao Banco Central pedindo explicações sobre o caso. Atualmente a situação é crítica e vamos pedir o ressarcimento dos correntistas”, lembrou Chico Daltro.
Vale lembrar que as cinco agências do Sincoob, localizadas nos municípios de Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Cuiabá, Várzea Grande, Barão de Melgaço e Santo Antônio do Leverger fecharam suas portas dia 02 de dezembro de 2004. Segundo consta, a Cooperativa entrou em liquidez, devido um desfalque constatado pela diretoria.
O Sicoob Pantanal movimenta mais de R$ 8 milhões, abrangendo as cinco agências bancárias. Servidores ficaram sem receber salários de novembro e dezembro.
A confirmação do fechamento foi feita na época, pelo vice-presidente da diretoria do Sicoob, Aizio Cunha de Miranda, durante reunião no município de Nossa de Senhora do Livramento, entre os representantes da diretoria e associados. Desde aquela data, a Cooperativa localizada em Livramento deixou de fazer pagamentos de salários dos servidores municipais, aposentados e clientes em geral. Mensalmente, a prefeitura deposita cerca de R$ 221 mil para quitação da folha de pagamento.
“Além do prejuízo em várias pessoas, a cooperativa também causou danos profundos no comércio com vários cheques devolvidos pelo próprio banco”, explicou o prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Carlos Roberto da Costa (PFL).
A crise financeira do banco afetou a maioria da população de Poconé, que está revoltada com situação. “Todas as economias da população estão no Sicoob e essa situação arrebenta com a cidade. O pior de tudo isso é que o banco fechou as portas, mas não comunicou os associados sobre o que estava acontecendo, e continuava recebendo depósitos”, observa o presidente da Câmara Municipal, Celso Fontes.
No entanto, o presidente da Câmara também acusa diretamente a Mesa Diretora do Sincooob, alegando que o rombo do banco está diretamente ligado a desvio de dinheiro para pagar campanhas políticas. “É o que todos nós sabemos e isso a Polícia Federal também sabe”, apontou Fontes.
Já o delegado da Polícia Federal, Eduardo Brindisi, garantiu aos associados que a PF instaurou inquérito contra a instituição financeira e continua analisando o material colhido junto ao Sicoob. “Estamos ouvindo vários funcionários porque temos muitas coisas para serem detalhadas”, afirmou Brindisi.
Representando o procurador-geral da Justiça de Mato Grosso, Paulo Prado, Célio Furio disse que o Ministério Público está atento e preocupado com a situação e que houve omissão dos funcionários do Sicoob no caso.
“É um crime contra o sistema financeiro e isso é crime federal. Este problema social é grave e precisamos de uma solução, por isso não vamos deixar de lado essa relevância”, garantiu Furio. Com o auditório superlotado, a audiência contou com correntistas de seis municípios da Baixada Cuiabana, e ouviram as explicações do superintende do sindicato e Organizações das Cooperativas de Mato Grosso, Adair Mazoti, que a cooperativa não foi fechada e sim teve suas atividades paralisadas.
“A reabertura dos trabalhos depende do encaminhamento da Polícia Federal para se restabelecer o funcionamento do Sicoob”, garantiu Mazoti.
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