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Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso


Segunda-feira, 27 de junho de 2016 08h33


CENTRO POLÍTICO

Ex-secretário Salomão Amaral conta história da construção do CPA

A ideia surgiu de uma visita do então governador José Fragelli a Salvador. Ele foi à Bahia convidado pelo então governador Antônio Carlos Magalhães

ELZIS CARVALHO / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO



Ex-secretário de governo Salomão Amaral visita o Instituto de Memória (Foto: Karen Malagoli/ALMT)

O ex-secretário do Interior e Justiça no governo José Fragelli, no período de 1971 a 1975, Salomão Amaral, 86 anos, hoje residente em Campo Grande (MS), visitou, na semana passada, o Instituto Memória do Poder Legislativo de Mato Grosso. Ele relembrou como foi o inicio da construção do Centro Político Administrativo (CPA), em 1972.

 

O projeto de construção do CPA, de acordo com Salomão Amaral, foi construído após uma viagem de José Fragelli ao estado da Bahia. Lá, convidado pelo então governador Antônio Carlos Magalhães (Arena), Amaral conheceu o centro Industrial de Camaçari e também o Centro Político Administrativo (CPA), baiano. A ideia foi implantada em Mato Grosso.

 

A escolha do local foi a região norte de Cuiabá. Segundo Salomão, porque as outras áreas já estavam ocupadas e loteadas. Mas, para isso, foram feitos levantamentos do local em que seria construído o Centro Político. O local escolhido foi uma área de 1,5 mil hectares que pertencia à Prefeitura de Cuiabá.

 

“Ela não estava loteada, mas tinha centenas de requerimentos na Prefeitura pedindo loteamentos da área do CPA. Nessa região existiam muitos posseiros. A comissão, criada para analisar a área, fez uma avaliação para descobrir os proprietários e indenizá-los, de acordo com o preço de mercado. O trabalho foi feito corretamente, se não o fizéssemos iríamos brigar com todos os posseiros”, afirmou Amaral.

 

Ex secretário de governo, Salomão Amaral, visita o Instituto de Memória (Foto: Karen Malagoli/ALMT)

De acordo com o ex-secretário, a comissão definiu que os posseiros que aceitassem a avaliação proposta, feita pelo Estado, receberiam as escrituras de venda no mesmo dia. O termo de venda era lavrado e o valor acordado era pago na hora. 

 

Mas para chegar a esse entendimento, antes de levar ao conhecimento do governador José Fragelli, conforme Amaral, o prefeito de Cuiabá, Vila Nova Torres, fez um acordo de permuta da área do CPA com o Palácio Alencastro, localizado na Praça Alencastro.

 

No projeto original do Centro Político Administrativo, de acordo com Salomão, constava a construção de seis lagoas. Essas lagoas eram semelhantes aos construídos em  Brasília. “A ideia era diminuir a temperatura de 4 até 6 graus na região do CPA. Hoje, só tem um lago pequeno. Mas por que os outros cinco não foram feitos?”, questionou Amaral, que ficou sem resposta.

Sede própria - Na época, de acordo com Salomão Amaral, o Estado era proprietário apenas do Palácio Alencastro; do antigo prédio da Assembleia Legislativa, localizado na avenida Getúlio Vargas; da sede da Secretaria de Fazenda, na mesma avenida; do prédio velho da prefeitura, onde funcionava a Câmara da Municipal de Cuiabá; e das escolas estaduais em Cuiabá.

"O plano nosso era criar o CPA e instalar nesse local todas as repartições públicas: estaduais, federais e municipais. O prefeito Vila Nova Torres disse que Fragelli teria o respaldo da Prefeitura e, com isso, teria a garantia de transferir a sede do governo para o CPA e, de lá, transferir o cargo a seu sucessor, Garcia Neto”, disse Salomão.

"Não falei nada com o governador. Estou com essa ideia, quero conversar primeiro com vocês e depois com o Fragelli. Porque a Prefeitura de Cuiabá, assim como todos os órgãos públicos, não têm sede própria. A razão maior de construir o CPA é essa. Isso vai acabar com a exploração imobiliária e a indústria dos aluguéis no estado”, defendeu Salomão Amaral à época.

Permuta - Em meio a essa decisão, uma dúvida surgiu. Segundo Salomão Amaral, o questionamento feito na época era para quem ficaria o prédio do Palácio Alencastro – sede do governo do Estado. “Ele vai ficar para quem?”. “O Estado vai ter que comprar. Não queremos nenhuma secretaria fora do CPA. Mas isso não aconteceu, porque uma permuta entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Cuiabá foi selada”, explicou Salomão Amaral.

De acordo com Salomão Amaral, o Executivo estadual doou o Palácio Alencastro à prefeitura e o Executivo municipal transferiu ao Estado os 1,5 mil hectares, na região norte de Cuiabá. O acordo, segundo Salomão Amaral, foi fechado com os dois: estado e município. Mas, para isso, foram formatados os projetos de lei fazendo as permutas. As propostas, segundo Amaral, foram votadas em três dias.  

Recursos - O dinheiro para a construção dos prédios do governo no Centro Político Administrativo foi da venda das áreas ao longo das rodovias abertas no Nortão do estado – Cuiabá/Santarém, feitas para as empresas de colonização. Elas compraram as terras às margens da BR, mas a 100 quilômetros de distância da pista.

“Com os recursos arrecadados, o Governo do Estado construiu o CPA, o Verdão e o Colégio Estadual Presidente Medici. Além dessas obras, o governo investiu na linha de transmissão de energia elétrica de Cachoeira Dourada – cerca de 640 quilômetros. Essa obra ficou quase pronta, então coube a Garcia Neto concluí-la”, disse Salomão Amaral.

Transmissão de cargo e obras - A transmissão de cargo de Fragelli para Garcia Neto, de acordo com Salomão Amaral, foi feita na nova sede do governo estadual, o CPA. Amaral disse que, além da construção do estádio de futebol José Fragelli, mais conhecido como Verdão, o marco da administração de Fragelli foi o Centro Político Administrativo – CPA.

Indicação de Fragelli ao governo - A escolha do governador de Mato Grosso em 1970, segundo Salomão Amaral, saiu de uma lista composta de seis nomes para serem escolhidos. Um deles seria indicado pelo presidente da República, Emilio Garrastazzu Medici e, por indicação de Fillinto Muller, o escolhido foi José Fragelli.

“A escolha de Fragelli teve apoio irrestrito do senador Fillinto Muller. Essa eleição ninguém me tira, nunca esqueci essa expressão dele - Fragelli. Como presidente da Arena, naquela época, Fragelli preparou o partido para as eleições. Ganhamos as duas vagas do Senado e as oitos para deputados federais e, das 18 cadeiras deputados estaduais, fizemos 16”, expressou com orgulho e saudosismo Salomão Amaral.

Dívidas encontradas - Quando o governador José Fragelli, de acordo com Salomão Amaral, assumiu o governo encontrou o Estado “quebrado e falido”. Segundo o secretário, “o Banco do Estado (Bemat) estava fechado. A Cemat tinha 32 execuções ajuizadas e dois pedidos de falência. A Companhia de Desenvolvimento do Estado (Codemat) tinha uma ação pelo não pagamento das parcelas da aquisição de uma frota de caminhões basculantes. O governo anterior era para pagar em 36 vezes, mas pagou apenas duas parcelas. Pegamos o Estado quebrado”, disse Salomão

Radialista - Salomão Amaral trabalhou ainda na Rádio A Voz D’Oeste de Cuiabá de 1949 a 1951. Ele deixou a Rádio porque tinha que continuar os estudos e fazer faculdade, no Rio de Janeiro. Ele é natural de Pernambuco, mas foi criado em Corumbá. Com 16 anos de idade, veio morar em Cuiabá. Na Rádio, ele trabalhou como locutor e apresentou o Programa Festivo na Cidade Verde, das 9 horas às 12 horas.

 


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