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Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Hino de Mato Grosso

POR FLÁVIO GARCIA / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL  •  22 DE SETEMBRO DE 2011 ÀS 11:37:00  •  688 Acessos

POR FLÁVIO GARCIA / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL  •  22 DE SETEMBRO DE 2011 ÀS 11:37:00  •  688 Acessos


Dentre os Símbolos Oficiais do Estado de Mato Grosso, A Bandeira e o Brasão de Armas, foi incluído o Hino de Mato Grosso em 1983, sobre o qual levantamos alguns fatos:

HISTÓRIA:

Por ocasião das Comemorações do aniversário de Cuiabá, no dia 08 de Abril de 1919, foi cantada, diante de um seleto público, pela primeira vez a música "Canção Mato-grossense".

"Após a cerimônia religiosa, realizada na Catedral Metropolitana, um grupo de senhoritas cantou o Hino que Dom Francisco de Aquino Corrêa com a música do maestro Emílio Heine, compôs especialmente para as comemorações do aniversário de 250 anos de Cuiabá".

"No mesmo dia por ocasião da Instalação do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, um grupo de alunos da Escola Modelo Barão de Melgaço cantaram o Hino a Mato Grosso, na praça da República pelo qual foram calorosamente aplaudidos pelo grande público presente".

Dessa forma, em grande estilo, em data representativa foi ouvida pela primeira vez a música que 64 anos depois seria oficializada como Hino de Mato Grosso.

Seu compositor, não poderia ser mais ilustre, mais admirado do que Dom Francisco de Aquino Correa. Amado pelo povo, idolatrado pelos religiosos e respeitado pelos políticos, intelectuais regionais e nacional, tanto que se tornou governador nos anos de 1918 a 1922, como candidato de conciliação dos partidos Conservador e Republicano, com o apoio do Presidente da República Wenceslau Brás.

No final de seu governo, no entanto, sofreu muita oposição dos partidos que o haviam elegido, da mesma forma como entrou na política, a convite saiu desta também, no entanto não se pode esconder uma lâmpada sob a mesa, e o cidadão Dom Aquino continuou a iluminar sua terra natal e dando-lhe orgulho de tê-lo como filho. Os historiadores acreditam que devido a esse fato, ciúme político, não foi oficializada "Canção Mato-grossense" como Hino de Mato Grosso, mesmo que sua execução já era praxe nas cerimônias oficiais do Estado quando Dom Aquino era Governador e depois que este deixou o mandato.

Com o golpe de novembro de 1937, todos os símbolos oficiais dos Estados foram abolidos, mas como a "Canção Mato-grossense" não era oficialmente o Hino de Mato Grosso ela continuou sendo cantada nas escolas e solenidades como folclore.

Em 1946, com a nova Carta Magna do Brasil, os símbolos oficiais foram restabelecidos, a Constituição Estadual de 1947 só refere ao Brasão de Armas e a Bandeira. Como Mato Grosso não tinha oficializado seu Hino, este não foi registrado na Constituição.

Mesmo sendo executado pelas Bandas da Polícia Militar e a do Exercito Brasileiro, com todas as honras de Hino, e sacramentado nos corações dos mato-grossenses nenhum governante teve a iniciativa de oficializa-lo, até maio de 1983.

ESTUDOS PARA A OFICIALIZAÇÃO:
No Diário oficial de 03 de Maio foi publicado o Decreto n° 38 de 03/05/1983 em que o Governo do Estado, Júlio José de Campos, cria uma Comissão Especial para proceder estudos sobre o Hino de Mato Grosso que foi composta pelos senhores: ADAUTO DIAS DE ALENCAR, ARCHIMEDES PEREIRA LIMA, MARÍLIA BEATRIZ FIGUEIREDO LEITE, LÍDIO MODESTO DA SILVA e PEDRO ROCHA JUCÁ.

A REPERCURSÃO NA IMPRENSA:
Conforme relata o historiador e imortal Pedro Rocha Juca, no dia 05 de maio de 1983 o Jornal "O ESTADO DE MATO GROSSO" publicou um editorial, intitulado "O Hino de Mato Grosso", em que comenta o ato do Governador Julio José de Campos de nomear uma comissão de alto nível, através de decreto publicado no Diário Oficial do Estado para tratar da oficialização da letra e da música do Hino de Mato Grosso.

"A Academia de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso já se pronunciaram a respeito e não concordam com qualquer alteração a Letra de Dom Aquino e muito menos na musica do Maestro Emílio Heine, justificando que não se pode alterar uma obra literária, principalmente quando ela é fruto de uma inteligência incomparável como a de Dom Aquino Correa e um hino que já está no coração do povo mato-grossense. Caberá apenas a esta comissão oficializar o que está consagrado na tradição da nossa gente, exaltando a obra de um poeta inesquecível, filho da terra. ..."

Na edição do dia 22/05/1983 no mesmo jornal foi publicado um artigo do Imortal e ex-Deputado Constituinte, o inesquecível Luis-Philipe Pereira Leite com o título de "Valiosos Pronunciamentos", em que publicou a opinião de alguns cidadãos ilustres sobre seus posicionamentos quanto a oficialização da música "Canção mato-grossense" como Hino de Mato Grosso, pois havia já movimento para que se mudasse a letra, com a argumentação "Divisão do Estado".

- ANTONIO DE ARRUDA – Desembargador, professor universitário, Ex-Presidente do Tribunal de Justiça, e assessor da Escola Superior de Guerra.
"Estou de acordo com você com relação ao Hino de Mato Grosso: a referência a cidades desmembradas do Estado não desvirtua a obra poética, que reflete um momento histórico".

- JARY GOMES – Ex-Deputado Constituinte, ex-governador de Mato Grosso (1950-1951), ilustre Médico, honrado cidadão.

"Considerei oportuno. A sua iniciativa de lançar verdadeira conclamação aos dirigentes do Estado e à Assembléia Legislativa, pela oficialização do magnífico Hino de Dom Aquino, constitui gesto louvável e patriótico, não apenas pelo que nos oferece de arte e de beleza, pelo que evoca de virtudes da nossa gente, dos feitos dos nossos desbravadores, das nossas inexauríveis riquezas naturais, do progresso que, hoje, testemunhamos, mas também pelo reconhecimento que Mato Grosso não pode negar ao insígne prelado que, com a sua verve inimitável, nacionalmente consagrada, com os versos condoreiros gravados em cada estrofe, com o seu descortino, como exemplos, com palavras e ações de sábio e de mestre, tanto honrou, glorificou e amou o nosso vitorioso Estado.

Não me lembro bem se foi em 1921 ou 22, na escola primária de D. Madalena Mamolier, em Ponta Porá, que cantei com os alunos, pela primeira vez, o lindíssimo Hino de Mato Grosso. E, ainda, ao longe soam-me aos ouvidos o significativo estribilho:

"Salve Terra de Amor, Terra de Ouro,
Que Sonhara Moreira Cabral!
Chova o Céu dos seus Dons o Tesouro,
Sobre Ti, Bela Terra Natal".

Muitas razões há para que se oficialize o Hino, entre outras:
1 - por ser de autoria de um dos expoentes da Poética Nacional;
2 - por que é belo;
3 – por que enfeixa em versos a própria história do nosso Estado.
Parabéns."

Após profundos estudos, calorosas discussões e diversos pronunciamentos de cidadãos a Comissão concluiu seu relatório e entregou ao então Governador do Estado.

Alguns trechos do parecer da Comissão:
Decidiram pela não alteração do Hino.
"O poema representa uma visão em termos altos sobre Mato Grosso. Para efeito pedagógicos, o poema foi desestruturado, sem sofrer qualquer alteração em seu conteúdo, As quatro estrofes originárias de oito versos foram divididas em oito estrofes de quatro versos e as estrofe do estribilho, de quatro versos, passou para seis versos, alterando-se, no entanto, a métrica, que assim ficou estabelecida: o primeiro verso com seis sílabas; o segundo com três sílabas; o terceiro com nove sílabas; o quarto com três sílabas; o quinto com seis sílabas; e o sexto com nove sílabas...

A idéia intrínseca do poema evoca referencias clássicas, históricas e fatores ambientais e telúricos regionais".

A comissão também analisou os termos utilizados pelo autor, chamando a atenção para dois fatos históricos que para muitos, que não atentaram para a realidade dos fatos, não deveriam fazer parte da letra, com a divisão do Estado com que a comissão analisou que: "contudo, na letra do hino jamais se cogitou do ambiente e sim do homem, por exemplo no verso "Dos teus bravos a glória se expande de Dourados até Corumbá" o que o autor decantou foi a glória dos filhos de Mato Grosso e não o pedaço geográfico.

"Decantou a bravura de Antonio João Ribeiro, nascido em Poconé em 1820, e que tombou heroicamente em 1864 quando tenente do exercito, comandava a Colônia militar de Dourados. Decantou a bravura de Antonio Maria Coelho, na retomada de Corumbá, ele nascido em Cuiabá em 1827 e falecido em Corumbá em 1894. Essa foi a inspiração para o verso ".. de Dourados até Corumbá".

Segundo a comissão, o heroísmo dessas figuras ilustres não diz respeito apenas a Mato Grosso e sim ao Brasil, nas circunstâncias por que passava a soberania nacional.

Acatando o parecer, extremamente técnico e fundamentado da estudiosa e competente Comissão, foi oficializado como Hino de Mato Grosso a "Canção Mato-grossense" sem qualquer alteração. Pois nenhum intelectual, estudioso ou político da época teve justificativa que pudesse dilacerar tão apreciada e reconhecida obra literária e artística.

OFICIALIZAÇÃO:
Através do Decreto n° 208, de 05 de Setembro de 1983, por iniciativa do Governador Júlio Jose de Campos, a clássica "Canção Mato-grossense" com letra de Dom Francisco de Aquino Corrêa, e música do Maestro Emílio Heine, foi oficializado o HINO DE MATO GROSSO.

O Hino Oficial de Mato Grosso foi executado pela primeira vez no dia 7 de setembro de 1983, em sessão cívica da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, executado pela Banda da Polícia Militar.

 
Ísis Catarina Martins Brandão.
Secretária do Institudo Memória
 
Fonte: "Os Símbolos Oficiais do Estado de Mato Grosso", obra de Pedro Rocha Juca e acervo do Institudo Memória.

 

 

 

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