A iniciativa partiu de projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Mauro Savi (PPS), líder do governo na Assembléia Legislativa, com a intenção de resguardar um bem tradicional, histórica e culturalmente sintonizado com a identidade de uma grande e secular comunidade mato-grossense.
O Kanjinjin é uma bebida licorosa, de tonalidade escura, densa, açucarada e de fabricação artesanal por descendentes de escravos, moradores da ex-capital da província de Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade. Na sua composição entram basicamente gengibre, cravo, canela, cachaça e outros ingredientes mantidos sob reserva pelos fabricantes.
Na justificativa do projeto, o deputado Mauro Savi acentuou que “hoje o consumo do Kanjinjin tem crescido muito, embora sem alcançar ainda escala comercial considerável, mas a sua importância maior está ligada ao seu aspecto histórico-cultural constituindo-se em marco tradicional de um produto artesanal estreitamente vinculado à epopéia da sobrevivência, quase isolada, de componentes da raça negra, integrantes de um nicho de escravos e ex-escravos, que, ao longo do tempo, manteve a bebida imune de sofrer qualquer tipo de agregação externa”.
De acordo com militantes culturais, a declaração do Kanjinjin como bebida-símbolo de Vila Bela da Santíssima Trindade “é mais uma atitude de respeito às ricas tradições culturais da terra, a maioria delas mantida secularmente por descendentes afro-brasileiros, que merecem este reconhecimento público do Estado”.
“Mais do que uma bebida, o Kanjinjin é um bem de raiz que confere valor histórico e autenticidade étnico-regional e que, por essa especial circunstância, precisa ter sua produção continuada e preservada em sua forma primitiva e artesanal no seio da comunidade negra vilabelense”, conclui Savi.
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