Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
A endometriose, doença inflamatória crônica que atinge o tecido endometrial e afeta cerca de 8 milhões de brasileiras, segundo o Ministério da Saúde, leva em média sete anos para ser confirmada após os primeiros sintomas. No Brasil, o índice é alarmante: uma em cada 10 mulheres sofre com a condição. Em Mato Grosso, a Lei nº 13.065/2025, de autoria do deputado Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa, foi criada para mudar essa realidade, garantindo políticas públicas que aceleram o diagnóstico e o tratamento especializado.
Nesta quinta-feira (7), é celebrado o Dia Internacional da Luta Contra a Endometriose. Max lembra da importância do Programa de Prevenção à doença. “Com a lei, o governo será obrigado a criar unidades de saúde especializadas para o diagnóstico e o tratamento da endometriose. Assim podemos garantir a estrutura necessária para que as mulheres tenham um atendimento digno, humanizado e contínuo”, afirmou o presidente da ALMT.
De acordo com a nutricionista Alinne Bodenstein, especialista em endometriose e doenças gastrointestinais, os números oficiais podem estar subestimados. Ela explica que a condição ginecológica é frequentemente confundida com a Síndrome do Intestino Irritável.
“O diagnóstico é muito tardio porque os sintomas são parecidos: ambos causam cólicas abdominais e alterações no hábito intestinal. Isso faz com que muitas mulheres tratem um problema digestivo quando, na verdade, sofrem de endometriose”, alerta a especialista que também vive com a doença.
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Para ela, é essencial a execução do programa que prevê a criação de unidades voltadas ao diagnóstico e tratamento, incluindo a constituição de centros cirúrgicos especializados e a capacitação dos profissionais de saúde para o tratamento e diagnóstico da doença. “Nós precisamos realmente que o poder público abrace também essa causa, trabalhe para a conscientização e também promova de forma simultânea a capacitação profissional para podermos ter esse diagnóstico precoce”, afirmou Bodenstein.
O drama do diagnóstico: “Fui atendida de forma ríspida” - A falta de qualificação e de equipamentos na rede de saúde é uma barreira real enfrentada por milhares de mulheres. Cecília Nobre, 32, ex-moradora de Alto Araguaia, viveu na pele o descaso antes de descobrir que tinha endometriose. Após uma intensa hemorragia, o atendimento inicial foi marcado por preconceito e falta de informação.
“Fui atendida de maneira bem ríspida pelos profissionais, que suspeitavam de aborto. Só após um ultrassom, uma médica de plantão suspeitou de endometriose, mas, por falta de especialistas e aparelhos no local, tive que buscar socorro em outro município”, relata.
Antes do diagnóstico, Cecília sofria com períodos menstruais ininterruptos que a levaram a desenvolver hematofobia (medo de sangue). “Eu desmaiava ou passava muito mal, o que só piorava a situação”, conta ela, que teve outras complicações devido à perda excessiva de sangue.
Para Cecília, saber que agora existe uma lei estadual (Lei 13.065) focada na doença traz esperança. “Aqueles que colocamos no poder devem nos representar de todas as formas, especialmente em doenças que são invisibilizadas pela sociedade”, finaliza.