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Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Rondon - Desbravador, Cientista, Mato-grossense

POR FLÁVIO GARCIA / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL  •  22 DE SETEMBRO DE 2011 ÀS 11:49:00  •  376 Acessos

POR FLÁVIO GARCIA / SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL  •  22 DE SETEMBRO DE 2011 ÀS 11:49:00  •  376 Acessos

RONDON

PATRIOTA, DESBRAVADOR, HUMANISTA, INDIGENISTA, CIENTISTA, MATO-GROSSENSE.

O MATO-GROSSENSE

Cândido Mariano da Silva, nasceu em 05/05/1865, em Mimoso, na Sesmaria denominada Morro Redondo, município de Santo Antônio do Leverger. De descendência indígena, em suas veias corriam sangue dos índios Terena e Bororo , por parte da avó materna e, dos índios Guaná por parte da avó paterna.

Sua mãe Claudina morreu quando Cândido tinha apenas dois anos de idade. Seu pai, também faleceu prematuramente, e em seu leito de morte, preocupado com o destino do filho, pediu ao seu irmão, Manoel Rodrigues da Silva Rondon, que prometesse que quando Cândido estivesse na idade de estudar o levaria para Cuiabá, pois "o menino é muito vivo e deve ter uma oportunidade e um dia será orgulho para nossa terra".

Cândido, órfão de pai e mãe, ficou com seus avós Maria Constança e João Lucas Evangelista e iniciou seus estudos em Mimoso causando admiração pela facilidade que tinha para aprender e logo começou a ler.

Seu tio Manoel, não esquecendo a promessa feita ao irmão no leito de morte, vai até Mimoso buscar o sobrinho para estudar em Cuiabá, os avós são totalmente contra e relutam em permitir a vinda de Cândido para Cuiabá.

Contrariando o avô do menino, mas cumprindo a promessa que fez ao irmão, o Senhor Manuel Rodrigues da Silva Rondon, levou o menino para Cuiabá e o matriculou no Liceu Cuiabano, onde diplomou-se professor com apenas 16 anos de idade. A tenra idade o impedia de lecionar. Incentivado pelo tio, resolveu então entrar para o Exército. Lá se destacou em todas as turmas de que participou.

Cônscio da vocação que o impelia à carreira das armas, Cândido, sempre com incentivo e apoio do tio, se muda para o Rio de Janeiro, onde residiu de 1881 a 1889.

Em suas lembranças: "Era a minha vida austera e afanosa. Não perdia um minuto, consagrando todo o meu tempo, toda a minha capacidade moral, intelectual e prática, ao objetivo único de vencer com brilho - vencer para regressar a Cuiabá, e realizando o voto de meu pai, servir à minha Terra".

Formou-se no ano da Proclamação da República.

Admirador de Benjamim Constant, optou pela República e pela filosofia de Augusto Comte, acreditava como esse, na criação de uma sociedade ideal, tendo "o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como fim."

Em 1890, diplomou-se Bacharel em Matemática, Ciências Físicas e Naturais, pela Escola Superior de Guerra do Brasil.

O NOME "RONDON"

Em homenagem ao seu tio, Manuel Rondon, Cândido requereu ao Ministro da Guerra, permissão para acrescentar ao seu nome o sobrenome do tio RONDON. O Ministro da Guerra, através da portaria n° 28, de 1890, deferiu seu pedido, daí então, Cândido passou a se chamar CÂNDIDO MARIANO DA SILVA RONDON .

A EXPEDIÇÃO

Com a necessidade do estabelecimento de comunicação entre as diversas Províncias e o Rio de Janeiro, que era a sede do governo Federal, decidiu-se pela construção de uma linha telegráfica ligando Franca a Uberaba, Goiás a Cuiabá, para tal foi criada a "Comissão Construtora de Linhas Telegráficas"

A "Comissão Cuiabá", responsável pelos trabalhos situados a margem esquerda do Araguaia, por indicação de Floriano Peixoto, foi chefiada pelo Major Carneiro, tendo Rondon como ajudante.

Construída a etapa Cuiabá-Araguaia, em 30/04/1891, partiu para a complementação das ligações telegráficas com a zona da fronteira, com mais de 1.746 quilômetros alcançando Corumbá, Porto Murtinho, Bela Vista e Cáceres, divisa com a Bolívia e ainda por Coxim, Nioaque, Miranda, Livramento e Poconé.

Rondon não se limitou a trabalhar na instalação de linhas telegráficas de Mato Grosso, empenhou-se em investigar, pesquisar, observar a geografia, a cartografia, a fauna e a geologia, visando marcar pontos ainda desconhecidos nos mapas da época.

Ao cabo da sua missão, havia desbravado e estudado uma superfície de cerca de 500 mil quilômetros quadrados , equivalente ao território da Espanha; desempenhando importante papel nos trabalhos de definição das fronteiras.

O CIENTISTA

Além de sua tarefa, Rondon, empreendeu pesquisas, investigações, explorações e observações no campo da geografia, cartografia, flora, fauna, geologia, orografia e potamografia e estudos relativos à origem dos cursos d'água, coordenadas geográficas para futuras operações geodésicas, composição do solo, variedades botânicas, através de trabalhos científicos valorizando a natureza e o patrimônio de seu País.

Os resultados de suas pesquisas foram encaminhados ao Museu Nacional do Rio de Janeiro. Continham 23.107 exemplares de Botânica, Zoologia, Mineralogia, Geologia e Antropologia . Muitas espécies novas e até famílias, nos domínios da história natural, tomaram denominações derivadas do seu nome, como homenagem.

A expedição Rondon, que acabou ficando conhecida no mundo inteiro com esse título, devido às descobertas científicas e pesquisas inéditas desenvolvidas e catalogadas por Marechal Rondon, de repente se via composta de cientistas e especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, que vinham do mundo todo para trabalhar ao lado de nosso humilde mato-grossense.

O Presidente Americano Theodore Roosevelt, também participou dessa expedição de 1913 à maio de 1914. Em sua homenagem Rondon nomeou o rio "da Duvida" de Rio Roosevelt.

A Inspeção de Fronteiras resultou em cerca de 50 publicações contendo 13 mapas que possibilitaram acordos e convênios internacionais fixando definitivamente os contornos do território brasileiro.

Mato Grosso deve a Rondon a primeira carta geográfica do Estado, na qual corrigiu traçados de rios, direção e nomenclatura de serras, posições topográficas de cidades, vilas e povoados. Realizou reconhecimento de rios até então inexplorados, fixou relevo do solo, estabeleceu índice de vegetação e coeficiente pluviométricos e levantou dados antropológicos de várias regiões.

Estabeleceu, em 1909, o Centro Geodésico da América do Sul, em Cuiabá, no Campo D'ourique, hoje Praça Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo, reconhecido pela Diretoria do Serviço Geográfico do Ministério do Exército, cuja carta foi homologada em 1975.

O INDIGENISTA

Não só por ser descendente de indígenas, Rondon sempre afixava ao longo das linhas telegráficas, que iam instalando, cartazes advertindo que: "Quem, d'ora em diante, tentar afugentar os índios de suas legítimas terras terá de responder perante o chefe desta Comissão", Comando do Exército Brasileiro, sendo assim nenhum aventureiro se habilitava a descumpri-la.

Demonstrava o respeito para com os Índios, orgulho de sua origem. Em seu contato com os índios Nhambiquaras, a Comissão foi atacada por flechas, mas a preocupação de Rondon era a de que os soldados não reagissem e empreendessem imediata retirada. Com muita paciência estes e outros índios da vasta região central do Brasil foram pacificados, chegando a venerá-lo como Grande Chefe. Muitos se integraram à Comissão de Rondon, que desde a sua primeira missão foi auxiliada por duas centenas de índios Bororos que para tomarem parte na expedição impuseram uma única condição: a de serem comandados pelo "Grande Chefe", Rondon.

Assim viveu Rondon: chegando a lugares onde nunca estivera o homem branco, estendendo fios de linhas telegráficas pela vastidão dos campos e cerrados, abrindo passagem nas profundezas da selva. Via com compreensão a hostilidade dos nativos e sabia ser legítimo seu temor e justificada a beligerância dessas nações frente à ameaça de invasores brancos, resolvidos a explorar, ocupar e quase sempre, usurpar terras cuja posse lhe parecia tão natural quanto ao ouro que brotava da terra, a água que bebiam e o ar que respiravam.

Para toda essa inocência paradisíaca, Rondon fez de seu lema uma doutrina, transmitida a seus comandados: "Morrer, se preciso for. Matar, jamais.", fazendo assim com que todos que estabelecessem contatos com os indígenas, dispensassem à estes um tratamento digno, responsável e respeitável.

A criação do Serviço de Proteção ao Índio, em 1910, e do Parque Nacional do Xingu aprovado em 1952, marcou admiravelmente a sua obra a favor da população indígena brasileira.

O "Congresso de Raças" reunido em Londres, em 1913, homenageou RONDON, sob aplausos, apontando-o como exemplo a ser imitado "para honra da civilização universal" e recomendado a todas as nações, o método de atração de grupos indígenas. Os princípios e ideais que Rondon estabeleceu como regra e que norteou todo o seu trabalho e sua vida, servem até hoje como divisas do Brasil, a serem adotados por outros povos.

NA POLÍTICA

Por ocasião da Revolução de 1930 foi prisioneiro pelas forças custodiadas, por ordem do Chefe da Revolução, Getúlio Vargas. Oswaldo Aranha procurou obter a sua adesão ao movimento e Rondon, negou-se a atendê-lo, já que condenava recorrer às armas para a solução de problemas políticos.

Rondon tinha postura firme e afirmava que "só uma revolução moral poderia solucionar os Problemas do Brasil".

Importantes cargos públicos lhe foram oferecidos e propostas a cargos eletivos foram várias. Seu nome chegou a ser lembrado como candidato de conciliação à sucessão Presidencial. Porém nunca se deixou fascinar pelo estrelismo sendo, até a sua morte, um homem simples, mas com idéias e ideais mais elevados que os brilhos passageiros que lhe foram propostos.

 

RECONHECIMENTO MUNDIAL

Condecorações e homenagens prestadas pelo Brasil, pelas nações estrangeiras, sociedades científicas nacionais e internacionais:

 

Condecorações Nacionais:

•  Gran Cruz da Ordem do Mérito Militar - Brasil

•  Medalha Militar de Prata, Ouro e Platina do Exército Brasileiro, (por ter complementado respectivamente, vinte, trinta e quarenta anos de serviço sem nota alguma que o desabonasse.).

•  Medalha de Ouro - "Mérito" da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.

CONDECORAÇÕES ESTRANGEIRAS:

•  Medalha de Prata - "Medalha Crévaux" da Sociedade de Geografia de Paris.

•  Medalha de Bronze - "The Explore's Club" dos Estados Unidos da América do Norte.

•  Gran Cruz da Legião de Honra (Comendador) França.

•  Comendador da Ordem La Couronne da Bélgica - pelo Rei Adalberto, com as seguintes palavras: "pelo bem que o senhor tem feito a Humanidade".

•  Membro de Honra da "La Societé Suisse Des Americanistes".

•  Grande Oficial da Ordem "El Sol" (Peru)

•  Grande Oficial da Ordem de Boyacá (Colômbia)

•  Gran Croce dell Ordine al Merito della Republica (Itália).

HOMENAGENS ESTRANGEIRAS

•  "Prêmio Livgstone" da Sociedade de Geografia de Nova York, 1914.

•  É o terceiro nome registrado, em letras de ouro, no livro de Honra da Sociedade Geográfica de Nova York, juntamente com os descobridores do Pólo Sul e do Pólo Norte.

DIPLOMAS DIVERSOS

•  Diplomas diversos - cerca de 30 diplomas, diversos de Presidente honorário, Membro de Honra, Membro Efetivo, Membro Correspondente, da Sociedades de Geografia, de História e de Instituições Científicas diversas, tanto brasileiras, como estrangeiras.

E outras inúmeras homenagens prestadas pela Presidência da República do Brasil, Congresso, Senado, Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas, Governos Estaduais, Prefeituras e Câmaras Municipais.

Os membros do 3º Congresso Internacional de História das Ciências em Portugal, 1934; deu a denominação " Meridiano Rondon" a uma linha líquida ininterrupta, desde o Mar na foz do Rio Essequibo, na Costa da Guiana Inglesa, até a foz do Rio Prata. São somente dois meridianos que tem denominação: o de Greenwich e o Rondon.

O Marechal RONDON, foi distinguido como antropólogo, etnólogo, sociólogo, geógrafo, sertanista, indianista. Mais do que tudo, porém, foi ele um humanista, um civilizador, um intelectual cônscio da prevalência do Homem no Universo, sabedor de que não há nada maior nem mais nobre do que a vida humana. Daí o valor que dispensou aos índios, a atenção com que os distinguiu, a importância que lhes deu como sujeitos de uma história, como senhores de uma cultura, e como mantenedores de uma tradição.

Seu falecimento ocorreu suavemente no dia 19 de janeiro de 1958 na cidade do Rio de Janeiro em seu apartamento em Copacabana, sua lacuna foi sentida no mundo inteiro de onde chegaram manifestações de pesar ao governo brasileiro.

Ísis Catarina Martins Brandão, está Secretária do Instituto Memória, é membro da Sociedade Amigos de Rondon, fundada em 05/05/1959, pelos idealizadores Ramis Bucair, Rubens de Mendonça, Vera Randazzo, Ronaldo de Castro, com o objetivo de manter viva a obra de Rondon, aqui no seu Estado natal e em todo território nacional, emitindo correspondência, e informações sobre a obra e vida do Mal. Rondon.

 

Secretaria de Comunicação Social