Ficha Técnica: À Flor da Pele - Ney Matogrosso e Raphael Rabello
UMA PASSAGEM PARA O FIM DO MUNDO -- As cidades grandes são um desafio à humanização. Nos espaços urbanos, diante de tantos estímulos, nem sempre é fácil se manter atento a si mesmo. Também não é fácil manter-se atento ao outro, ou seja, às pessoas com as quais mantemos contato.Na cidade, tudo é movimento e o desafio é respirar calmo, em paz, sem pressa. Haja meditação, técnicas alternativas, massagens relaxantes e tantas coisas às quais precisamos recorrer para dar conta da correria dos grandes centros. Tem dias em que a gente sente vontade de ir para algum lugar distante, meio de mato, só para fazer um detox de tudo o que nos rodeia nas metrópoles. Tão bom seria acordar ouvindo o galo cantar, tomar um café forte, aproveitar o canto dos pássaros, tomar um banho de rio e tirar aquele cochilo na rede. Tem vida melhor? E quando essa realidade não está ao nosso alcance? O que fazer para distrair a mente e alegrar um pouco o coração? A música sempre pode ajudar, porque ela tem o poder de nos transportar para lugares que nem imaginamos. E esse lugar pode ser um rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo. A canção de Ary Barroso e Lamartine Babo, tantas vezes gravada, leva quem escuta diretamente a esse lugar distante, “onde a dor e a saudade contam coisas da cidade”. E mesmo que haja dor e saudade, ainda assim é bonito de ouvir e acalma o coração. Escutar essa canção é passear por esse rancho fundo, é ter vontade de estar nesse lugar, de ouvir o moreno tocar a viola e, junto a ele, olhar a lua no céu. Aliás, qual foi a última vez que você olhou o céu e deixou os pensamentos passearem por ele? Qual a última vez que você viajou para um rancho fundo, mesmo que fosse ao ouvir uma canção? O tempo é, realmente, um presente. E a correria da vida não deve (jamais) fechar os nossos olhos para as sensibilidades, para as boas viagens, especialmente para aquelas que fazemos sem sair do lugar.