Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

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19/09/2019 22h31 Áudio

Ficha Técnica: Somos som - Karola Nunes

SOMOS SOM E SONHO - No livro “Alucinações musicais”, o neurologista Oliver Sacks narra alguns casos sobre relações que o homem estabelece com a música. Além das lembranças e recordações que uma determinada sonoridade pode provocar, a música é capaz de causar alterações de percepção e no campo neurológico. A música caminha lado a lado com as nossas afetividades e tem o poder de despertá-las. Isso serve para os bons e os maus sentimentos, para as boas e más recordações. Há sons que provocam verdadeira situação de tortura, enquanto outros despertam e potencializam o prazer. Independente das percepções que são provocados em nós, a música é elemento obrigatório, nos acompanha o tempo todo, feito artigo de primeiro necessidade. Com a música desenvolvemos uma relação de troca, da qual tiramos diversos benefícios. Isso acontece porque somos som, porque também somos constituídos de sonoridades. Se para quem ouve e desfruta a música já é encantadora, imagina para quem vive dela, trabalha com ela, faz dela um ofício diário. A sensação de extrair sonoridades de um instrumento, de reunir os acordes para compor a canção, de soltar a voz e combiná-la com outras vozes... todas essas ações são capazes de potencializar ainda mais o prazer de quem gosta e não vive sem música. É o caso de Karola Nunes. No disco “Somos som”, lançado este ano, ela exalta a música (indissociável a ela) e brinca com as sonoridades que seu trabalho permite desenvolver. Karola é som, vive de som e faz da música um instrumento para dar voz àquilo em que acredita. O artista sonha e usa de seus talentos para dar vida e cor a sua arte. Ao fazer isso, sensibiliza muitas pessoas, motiva outros artistas e faz essa roda de sonhos girar. Karola Nunes é som, é sonho, é inspiração!


13/09/2019 10h59 Áudio

Ficha Técnica: Rap é compromisso - Sabotage

NÃO VÃO SABOTAR NOSSOS SONHOS - Se você não conhece a história e a obra do rapper Sabotage, eu sugiro que tire um tempo para fazer isso. Existem textos, documentários, reportagens e muitos outros materiais que estão disponíveis a partir de uma simples pesquisa no Google. Mas eu sugiro um pouco mais: tire um tempo para ouvir Sabotage. O que você ganha com isso? Um novo olhar, uma nova perspectiva. Nas rimas que escreveu, o rapper sempre apresentou a realidade sem rodeios, sem meias palavras. Ele encontrou ressonância nas vidas de tantas pessoas que, inseridas na mesma realidade que ele, não encontravam alguém que levasse a voz da favela para o mundo, para além da favela. Apesar de ter vivido apenas 29 anos, Sabotage fez muito pelo rap nacional. E não poderia ser diferente, afinal, o rap era o compromisso dele. O que mais impressiona na história de Sabotage é, justamente, ele não ter deixado que a realidade na qual estava inserido acabasse com os sonhos que trazia consigo. Sabotage nunca escondeu as experiências que teve no mundo do crime e não cabe a nenhum de nós fazer qualquer tipo de julgamento. Mas cabe destacar que, mesmo diante de condições pouco favoráveis, ele não se calou e fez de si próprio um instrumento para dar voz a muitas pessoas. Por meio do rap, ele conseguiu transformar sua realidade, deixando um legado de “responsa”, que permanece sendo estudado e apreciado. É uma pena que ele tenha partido tão jovem. Quem olha para a atual situação política do Brasil com um mínimo de clareza e lucidez, sabe muito bem o quanto rappers como Sabotage são necessários em momentos como o que estamos vivendo. Mesmo diante de fatores como a fome, a pobreza, o crime, a violência, Sabotage não esqueceu o compromisso com o rap e, consequentemente, o compromisso com ele mesmo. Revisitar a história de vida desse grande rapper brasileiro é repensar os nossos próprios sonhos, as coisas que gostaríamos de fazer, mas deixamos de lado. As desculpas sempre existirão. Os afazeres e a rotina sempre caminharão ao nosso lado. Mas até quando nós vamos sabotar os nossos próprios sonhos?


06/09/2019 15h10 Áudio

Fusão[ponto]com - "Amar e mudar as coisas", Luciana Bonfim canta Belchior

Show beneficente, Lu Bonfim canta Belchior, na Casa Cuiabana. O programa Fusão[ponto]com, capitaneado por Paulo de Tarso e Eduardo Ferreira, convidou Lu Bonfim, Priscila Mendes, Maria Clara e Túlio Paniago, para falar de amor, amor pelas pessoas, amor pela arte e pela cultura. Os itens arrecadados na compra da meia solidária serão revertidos aos ocupantes do Beco do Candeeiro que vivem em situação de rua, por meio do projeto Psicanálise de Rua. Vamos falar de amor? Nesta sexta-feira, às 13h, ao vivo, na Rádio Assembleia, 89,5 FM.



06/09/2019 14h34 Áudio

Ficha Técnica: Tim Maia - Tim Maia

PRIMAVEROU - Setembro chegou e, toda vez que ele chega, uma mesma palavra invade o pensamento de muitas pessoas: primavera! Na teoria, aquela estação bonita, em que as flores invadem os cenários e embelezam as cidades. Mas não é assim em todos os lugares. Em algumas regiões do Brasil, os meses que antecedem a chegada da primavera são marcados pela seca e pelas altas temperaturas. Nessas localidades, quando a estação das flores começa, ainda traz consigo longos dias de seca e calor. No Centro-Oeste brasileiro, por exemplo, haja ar-condicionado, umidificador e banho de cachoeira para dar conta dos dias de secura. E, partindo desse princípio, algumas pessoas poderiam até pensar que, aqueles que vivem nessas regiões, não teriam tanto a comemorar com a chegada da primavera. Mas não é nada disso! Nesses casos, a chegada da primavera é um fôlego, uma ponta de esperança que renasce e se instala no peito dos que viveram dias tão sofridos, com suor intenso brotando no corpo, baixa umidade no ar e garganta seca em boa parte do dia.Quando a primavera chega, as pessoas começam a pensar que as chuvas não vão demorar, que logo o céu vai se abrir para as gotas descerem e banharem a todos que aqui esperam, sedentos e necessitados. A esperança de chuva deixa o clima mais leve, os sorrisos mais fáceis e faz brotar a certeza de que dias mais bonitos virão, com céu mais azul, menos fumaça e o cheiro gostoso da terra molhada. Esse cheiro é uma espécie de perfume para quem vive em regiões de clima seco e quente. Os efeitos da primavera são tão importantes que ela virou verbo: primaverar! Segundo alguns dicionários, é o ato de desfrutar, de aproveitar essa estação do ano. Em breve ela começará e este texto é um simples convite para viver os dias que virão com mais intensidade, mais esperança e leveza. É hora de primaverar em todos os sentidos da vida! É hora de regar, fazer brotar os sonhos e viver os dias com um colorido diferente. Os dias estão nebulosos, é verdade. A fumaça no céu quase não nos deixa ver o sol, mas em breve os parques estarão mais verdes, a chuva chegará intensa, as flores aparecerão e, como na música do Tim Maia, você encherá a boca para dizer que “hoje o céu está tão lindo!”.






29/08/2019 22h30 Áudio

Ficha Técnica: Minas - Milton Nascimento

SOBRE MILTON NASCIMENTO E CANÇÕES DE NINAR - Era um sábado de calor e a turma não demorou para decidir que o destino daquela tarde seria um bar, no centro da cidade. Para um dia quente como aquele, nada melhor do que a cerveja gelada e o papo com os amigos. Foram todos para o bar, animados e descontraídos. Pouca roupa, corpos suados e sorrisos abertos. A roda cresceu rapidamente, em poucos minutos já eram mais de dez pessoas. Uma delas era Maria Olívia, que estava grávida e se revezava entre água e suco de laranja. Maria era cantora, tinha uma voz suave e profundamente agradável. Quando ela cantava, a criança chutava forte dentro dela. Naquela tarde quente, numa mesa de bar, presenciei um momento sublime de conexão entre uma mãe e a criança que ainda nem havia nascido. Curiosa, perguntei o que a criança mais gostava de ouvir. Sem pensar muito, Maria respondeu: Milton Nascimento! E continuou explicando que, todas as vezes em que ela cantava Milton, a reação do bebê era diferenciada. “Primeiro ele se movimenta bastante, chuta e depois fica quietinho, sossegado”, disse a jovem, explicando que, quando ela era criança, sua mãe costumava cantar Milton antes do sono chegar. Enquanto todos nós, naquela mesa, já estávamos um pouco alterados pelo efeito do álcool, Maria nos brindou com sua voz doce e cantou Ponta de Areia. Com os olhos fechados, eu escutava aquela voz e tinha a impressão de estar em outra dimensão. Enquanto ela cantava, puxou rapidamente minha mão para que eu sentisse os chutes do bebê e aquilo me emocionou. Quando Maria terminou de cantar, parecia que todos em volta dela estavam hipnotizados. “O bebê sossegou. Deve ter dormido”, brincou Maria. Um dos amigos que estava na roda disse o quanto estava encantado com aquela voz e por presenciar o momento de conexão entre a mãe e a criança. Vários elogios se seguiram e Maria agradeceu dizendo apenas: “Agradeçam Milton Nascimento! Certamente o autor das minhas canções de ninar favoritas”.



16/08/2019 09h48 Áudio

Ficha Técnica: Fruto Proibido - Rita Lee

RITA É ROCK - Os “Doces Bárbaros” cantaram que “uma menina loira ia vir de uma cidade industrial, de bicicleta, de bermuda, mutante, bonita, solta, decidida, cheia de vida, etc e tal, cantando o yê, yê, yê...” Eles falavam de Rita Lee, uma cantora que é a cara do rock brasileiro. Além dessa canção, chamada “Quando”, Rita também é citada em Sampa, de Caetano Veloso, como a mais completa tradução da cidade de São Paulo. Rita é rock, Rita é São Paulo, Rita é a mulher que escreveu seu nome na história do Rock’n Roll brasileiro e que tem servido de inspiração para muitos outros artistas. Por isso falar de Rita Lee não é tarefa fácil. O que mais impressiona nela é, da fato, o seu lado mutante. Durante toda a carreira, ela nunca fugiu dos desafios, mesmo que o desafio fosse gravar um disco com versões de músicas dos Beatles. Alguns poderiam tremer nas bases, mas a Rita não. Se a atuação dela na música já representa um incentivo e uma referência para tantas mulheres, não significa que ela devesse parar por aí. A cantora sempre usou a música para promover reflexão, fazer críticas sociais, homenagear outras mulheres. E fez isso brilhantemente em canções como Luz del fuego e Pagu. Pagu virou um hino, lembrando o ouvinte que “só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão”. Com essa música, Rita reforça a importância da luta feminina por igualdade e reconhecimento de direitos. A história de Rita Lee se confunde com a história do Rock no Brasil. De 1966 a 1972, Rita integrou a banda “Mutantes”, ao lado de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. Depois de 1972, a banda seguiu sem Rita e, por tabela, sem a mesma representatividade. Os Mutantes foram pioneiros quando se fala em misturar rock a ritmos e estilos brasileiros. Por isso o trabalho da banda foi tão importante. Eles abriram as portas para que bandas como Novos Baianos, da qual já falamos aqui no programa. Mesmo após os Mutantes, Rita Lee manteve-se firme no propósito de viver a música, de dar ao rock uma cara mais brasileira e fez de seu nome um verdadeiro sinônimo para a experiência roqueira no Brasil. Vida longa ao percurso encantador de Rita Lee na música!